OS LADOS DE UM TELHADO SE CONTAM EM ÁGUAS (EXTENDED REMIX) - DANIELLA DOMINGUES | DAR TEMPLO AO TEMPO - JULIA PANADÉS | COZINHA DO FIM DO MUNDO - SHIMA
29 de Junho a 3 de Setembro de 2022 / Casa Gal, Belo Horizonte / MG

Gal apresenta as mostras individuais Os Lados de Um Telhado se Contam em Águas (Extended Remix), de Daniella Domingues, Dar Templo ao Tempo, de Julia Panadés e a instalação Cozinha do Fim do Mundo do artista em residência Shima. As pesquisas dos três artistas se configuram de modos particulares em seus fazeres, mas se tangenciam e se alimentam mutuamente na partilha da vida. Daniella, Julia e Shima têm, cada um à sua maneira, questões da memória e da ancestralidade como disparadores de suas produções e encontram, talvez na ação do tempo sobre a matéria, seu maior ponto de contato.

OS LADOS DE UM TELHADO SEM CONTAM EM ÁGUAS

Em Os Lados de um Telhado se Contam em Águas (Extended Remix), o conjunto central Os Lados de um Telhado se Contam em Águas (2022), minha obra mais recente, é exposto em diálogo com trabalhos anteriores. A instalação que empresta o título a esta exposição foi produzida em uma pesquisa que iniciei a partir do encontro com uma cópia de uma carta formal escrita por meu avô em 1973. O tema da carta, assim como seu estilo, inicialmente percebido como algo corriqueiro e até banal, após sucessivas leituras, abriu espaço para observações sobre a formação de periferias, autoconstrução, estruturas burocráticas e o apagamento da memória do território que é imposto pelos ciclos de expansão e desenvolvimento da cidade. Estes elementos se intercalam aqui em escultura, escrita e fotografia. Apesar de partir da leitura de um documento, esta obra não tem caráter documental e nem pretende informar sobre determinado fenômeno. Se constitui como uma elaboração que se dá nas próprias lacunas do documento, a partir dos indícios que ele anuncia, ou, mais ainda, da falta deles. E é talvez por operar nessas lacunas que se pronuncia a possibilidade de estabelecer um campo comum, e de troca.

Ao lado do conjunto central mostro a série ​​Lapidário. Cada uma das placas, feitas em gesso e pigmentos mimetizando o mármore, traz uma inscrição com o nome de uma música na primeira linha e do artista na segunda. Lapidário é uma celebração de afetos construídos em torno da cultura da música eletrônica onde dialogo com diferentes noções de temporalidade, permanência, legado e memória.

A série fotográfica Passeio é um exercício de deslocamento apesar de uma condição de isolamento, feita entre 2012 e 2013, e que, vista com esta distância de dez anos, dialoga com momentos recentes que partilhamos todos, onde estar em lugares (e com pessoas) através de uma ultra mediação passou a ser, talvez, uma possibilidade do real. O procedimento de captura das imagens resultou nesta série composta de seis fotografias, onde é possível observar as camadas que se sobrepõem formando as imagens: a fibra do papel, a trama da tela com seus milhares de pixels tripartidos, a granulação do negativo e minha própria imagem refletida na superfície.

Na terceira sala mostro uma série de fotografias e um conjunto de objetos, ambos com o mesmo título: Vestes. As fotografias, feitas em uma reserva técnica de uma área arqueológica em Roma, Itália, são espelhadas pelas peças feitas em cerâmica, num exercício de recriar em matéria sólida o movimento do tecido. Esta série é parte de um conjunto significativo da minha pesquisa feito em uma sucessão de viagens de pesquisas em áreas arqueológicas.

Proponho, colocando estes diferentes recortes de minha produção em perspectiva, um olhar sobre a memória do território, através da criação de vestígios que contam do desaparecimento de estruturas que não deixaram rastros e da experiência da matéria como testemunho do tempo.

Daniella Domingues

Casa Gal: Rua Groelândia 50, Sion. Belo Horizonte - MG.

Visitação: terça a sexta 13 - 19h e sábados 11 - 17h.

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio

Daniella Domingues

R$4.250,00

Passeio (Ensaio Para Um Filme de Gregg Araki)

Daniella Domingues

R$3.200,00

Telhado: esqueleto

Daniella Domingues

R$3.200,00

Telhado

Daniella Domingues

R$2.150,00

Sem Título

Daniella Domingues

R$3.200,00

Lapidário

R$1.200,00

Lapidário

Daniella Domingues

R$1.200,00

Lapidário

Daniella Domingues

R$1.200,00

Vestes

Daniella Domingues

R$3.300,00
DAR TEMPLO AO TEMPO - JULIA PANADÉS

DESPROVIDAS

TROCAM TESOUROS

NUMA ORQUESTRA

DE RESTOS

NADA PEDEM QUE

NÃO POSSAM DAR

Em Dar templo ao tempo, Julia Panadés apresenta a série Ancestralidade, com desenhos, poemas, bordados e costuras, em uma fabulação poética de seres híbridos. Mulher fita, mulher geológica e mulher canoa são algumas das figuras a evocar o envoltório de onde partimos, a embarcação uterina de um vir ao mundo, não apenas comum ao humano, mas ao planeta. Flutuam ciclos geracionais de formações arcaicas, erguem-se os ventres vulcânicos das montanhas, metamorfoses arborescentes do vivo prolongam suas extremidades corpóreas. O ar sustenta a origem da chama, tudo é muda em torno da permanência, cuidado é a meditação do ovo.

A exposição Dar templo ao tempo, em seus desenhos e poemas, abriga essa atmosfera orgânica povoada por modos de existência humanos e não humanos. Dar templo ao tempo é, ainda, um propósito envolvido na feitura das obras, num processo ritual dedicado a habitar o ritmo, ritmar o hábito, porque o ateliê descansa o corpo num ponto neutro entre o avanço e o recuo dos gestos. A prece sem pressa é diluída e condensada no manejo da água, no pigmento absorvido pelo papel, no deslize poroso do grafite, no atrito da cera, na secura do carvão, nas tramas do tecido, nas dobras dos planos, na linha de costura bordada, no poema do começo continuamente inacabado, feito, desfeito e refeito, na sequência de um ritmo. O conjunto reunido na mostra é composto, em sua maior parte, por imagens concebidas entre 2020 e 2022, mas abarca e atualiza peças em tecido, escritos e dobras da série Corpo em Obra, de 2019.

Julia Panadés

Aglomeração Involuntária

Julia Panadés

R$2.200,00

Ancestralidade Rubra

Julia Panadés

R$2.200,00

Ancestralidade Rubra – Gravura

Julia Panadés

R$350,00R$500,00

Arvoredo Azul

Julia Panadés

R$2.200,00

Caminhada Ancestral

Julia Panadés

R$1.800,00

Canoa Ancestral Arborescente

Julia Panadés

R$2.200,00

Canoa Arcaica

Julia Panadés

R$1.200,00

Canoa Enluarada

Julia Panadés

R$2.200,00

Canoa Geológica

Julia Panadés

R$2.700,00

Canoa Geológica – Gravura

Julia Panadés

R$350,00R$500,00

Canoa Geracional Arborescente

Julia Panadés

R$2.200,00

Canoa Vulcânica

Julia Panadés

R$1.700,00

Conversa Infinita

Julia Panadés

R$1.600,00

Conversa Infinita Azul

Julia Panadés

R$1.200,00

Dar Templo Ao Tempo

Julia Panadés

R$2.200,00

Desprovidas

Julia Panadés

R$2.200,00

Embrionário

Julia Panadés

R$4.200,00

Enlace

Julia Panadés

R$2.200,00

Entrando em Estado de Graça

Julia Panadés

R$2.200,00

Escrevo a Canoa, Lenha da Terra, Inundada

Julia Panadés

R$1.200,00

Fracasso

Julia Panadés

R$1.400,00

Gesto Restante, Resto Gestante

Julia Panadés

R$700,00

Maré das Enguias

Julia Panadés

R$1.700,00

Mulher Canoa

Julia Panadés

R$2.200,00

Mulher Cósmica

Julia Panadés

R$2.200,00

Mulher Fita

Julia Panadés

R$3.700,00

Mulher Fita Se Fazendo

Julia Panadés

R$3.700,00

Mulher Geológica

Julia Panadés

R$2.200,00

Mulheres Geológicas em Perspectiva Atmosférica

Julia Panadés

R$3.000,00

Nem Só Ná, Nem Só Terna, Materna

Julia Panadés

R$2.400,00

Ovo Rupestre

Julia Panadés

R$1.700,00

Ovo Semente

Julia Panadés

R$1.200,00

Pernada Cósmica

Julia Panadés

R$1.700,00

Pernadas (Canoa Arborescente)

Julia Panadés

R$2.200,00

Pernudas

Julia Panadés

R$1.400,00

Seio Vulcânico

Julia Panadés

R$1.700,00

Sensibilidade Oceânica, A Contar Gotas

Julia Panadés

R$850,00

Tudo é muda (Canoa Arborescente)

Julia Panadés

R$2.200,00

Ver O Abismo Com Olhos de Superfície

Julia Panadés

R$850,00
COZINHA DO FIM DO MUNDO - SHIMA

COZINHA DO FIM DO MUNDO

Da Pan-Asia para o Curral Del-Rey.

O Código de Barras é uma representação gráfica de uma sequência numérica sintetizada em barras paralelas brancas e pretas de espessuras variadas. A leitura, semelhante à lógica binária, traduz os “cheios e vazios” do código em uma sequência numérica única para identificar um produto. Todo produto industrial carrega em sua identidade um código de barras. A lógica capitalista neoliberal e os inúmeros discursos cerceados por idéias politizadas e posicionamentos éticos criaram uma miríade de produtos (lê-se também “código de barras”) para atender inúmeras demandas, fazendo que o consumo seja o próprio discurso do existir, pertencer e habitar este mundo, causando ojeriza para uns, e idolatria para outros.

Vivemos um período de polarização proporcional à globalização do mundo. Se em 1960 um navio levava cerca de 8 semanas para cruzar metade do planeta, hoje a média de tempo é de no máximo 21 dias, com o dobro de paradas do itinerário de 60 anos atrás. A facilidade de acesso a produtos “do outro lado do mundo” é a mesma que países do extremo oriente tem a produtos agrícolas  brasileiros, como carnes (aves, bovinos e suínos), frutas (banana, laranja) e matérias-primas (açúcar, petróleo, café). 

A partir de ingredientes “do fim do mundo” da Pan-Asia (Turquia, Índia, China, Coreia do Sul, Indonésia e Japão) encontrados em São Paulo (nos bairros da Liberdade e Bom Retiro) e trazidos à Belo Horizonte, para a cozinha da GAL, inicia-se a residência artística “Cozinha do Fim do Mundo” que tem como proposta integrar-se à paisagem da cidade, miscigenando os ingredientes estrangeiros com os produtos locais (agrícolas ou industriais, endêmicos ou imigrados) juntamente com um laboratório de fermentações instalado na cozinha, para encontrar uma “Cozinha do Fim do Mundo”.

Alimentar-se é fazer com que o universo exterior transite o universo interior, criando uma presentificação impermanente e uma sincronia efêmera no instante da refeição. Se somos aquilo que comemos, nosso discurso sustenta-se diante daquilo que fortalece nossa voz, ou entramos em contradição? Que lições diárias aprendemos com a ingestão, digestão e dejeção de um universo de consumo com data de validade? Quais as possibilidades de hackear nossos corpos com alterações (radicais ou progressivas) daquilo que nos compõe diariamente?

Shima

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